Convento e Igreja de São Francisco de Guimarães

05-08-2010 12:30

 

O Convento e Igreja de São Francisco de Guimarães, é uma construção que está localizada no distrito de Braga, concelho de Guimarães, freguesia de São Sebastião.

O edifício foi construído no início do século XV, por licença do Rei D. João I, tendo este tomado sob sua guarda e protecção o convento, e aqui tendo permanecido os Frades Menores de São Francisco até 1834, quando por ordem do rei D. Pedro IV, foram extintas as ordens religiosas em Portugal, passando nessa data para propriedade da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que presta actualmente à comunidade serviços nas valências de Lar de Idosos e Creche/Infantário.

Sem nunca descurar a actividade assistencial, sua principal razão de ser, a Venerável Ordem Terceira tem dedicado a melhor atenção ao riquíssimo património artístico que alberga no conjunto dos seus edifícios, preservando, com os indispensáveis cuidados, as peças do seu espólio cultural, que lhe foi legado por muitos séculos de história. 

 

História

S. Francisco de Assis veio à Península Ibérica em 1213, passando por Guimarães, onde foi recebido pela Rainha D. Urraca, esposa do Rei D. Afonso II. De regresso a Itália, enviou para Portugal, Frei Zacarias e Frei Gualter, acompanhados de dois franciscanos, cabendo a Frei Gualter o encargo de fundar um convento em Guimarães.

Frei Gualter chegou a Guimarães em 1216 e fixou a sua morada numa choupana, edificada na encosta do Monte de Santa Catarina (Penha), ao pé de uma fonte, posteriormente chamada de Fonte Santa ou Fonte de São Gualter, designações que perduram até hoje. Viviam de esmolas e devido à sua generosidade e amor ao próximo, eram muito estimados pela população que habitava na Vila. Quiseram por isso os Vimaranenses que os frades residissem mais perto do burgo, de modo que, ainda no mesmo ano da sua chegada, fixaram-se num local mais próximo, chamado São Francisco o Velho ou Minhotinho, e aí faleceu e foi sepultado S. Gualter em 1259.

Depois da morte de S. Gualter, no ano de 1271, foi doado aos religiosos de S. Francisco um novo convento, encostado aos muros da Vila, tendo os frades dado entrada na nova casa a 25 de Novembro desse ano. Nessa noite, tentou o Cabido da Colegiada de Guimarães apropriar-se do corpo de S. Gualter, falecido há poucos anos e tido em grande veneração, sepultado em campa rasa no ermitério de S. Francisco o Velho, facto que logo se fez constar e levou os franciscanos a pô-lo em segurança, primeiro num sepulcro de pedra e mais tarde num relicário que acompanhava os frades sempre que estes mudavam de residência.

No ano de 1322, o Infante D. Afonso ao combater contra seu pai, o rei D. Dinis, pôs cerco a Guimarães. Ficando o convento de S. Francisco encostado aos muros da Vila, permitia aos homens de D. Afonso o reforço dos combates, o que levou o rei a ordenar a sua demolição, temendo novos confrontos, e ordenando que fosse de novo construído a uma distância de segurança.

O novo convento foi construído onde ainda hoje se encontra, Igreja e Claustros de São Francisco, no ano de 1400, por licença do rei D. João I, e para aqui foram trazidos os restos mortais do padroeiro da cidade, São Gualter.

 

 

 

São Gualter e 1ª Duquesa de Bragança, D. Constança de Noronha

Considerado um dos mais expressivos e magníficos monumentos religiosos de Guimarães, a igreja de São Francisco acolhe, para além de esplêndidas obras de escultura e entalhe, os restos mortais de duas das personalidades mais importantes da cidade: O padroeiro, São Gualter, falecido em 1259 e a primeira Duquesa de Bragança, D. Constança de Noronha, falecida em 1480.

D. Constança de Noronha foi a segunda esposa de D. Afonso I de Bragança, filho do Rei D. João I, tendo casado em 1420. Viveu no Paço dos Duques de Guimarães, enviuvando em 1461, e retirando-se da vida social, para se dedicar ao culto espiritual e à assistência aos mais doentes e carenciados, envergando nessa altura o hábito de franciscana. Por sua expressa vontade foi sepultada na capela-mor da igreja de São Francisco, a 26 de Janeiro de 1480, data do seu falecimento. O tumulo da Duquesa encontrava-se coberto por uma pedra tumular com o seu perfil em tamanho natural, escondida durante anos atrás do altar-mor, mas actualmente exposta na capela lateral do lado do evangelho.

 

Património Cultural

No Convento e Igreja de São Francisco de Guimarães poderão ser apreciadas inúmeras obras de arte, fruto do trabalho de verdadeiros génios na arte da escultura, pintura, entalhe e arte sacra, sobressaindo obras de autores consagrados, tais como, Furtado, João Glama Stroberle, Vieira Portuense, Soares dos Reis, Giuseppi Berardi e Roquemont, entre outros.