Imagens

27-08-2010 11:35

 

INFORMAÇÕES PARA A “MURALHA”

 

 

IMAGEM DE SANTA ANA

 

A imagem de Santa Ana encontra-se no absidíolo sul da igreja de S. Francisco (lado da Epístola), na capela outrora designada pelo nome de Capela de Jesus ou Capela do morgado de Pinheiro”, em recordação do morgado aí instituído em 15 de Agosto de 1513.

Esta imagem foi oferecida à Ordem de S. Francisco em 26 de Julho de 1735 por Dona Ana Josefa Peixoto da Silva, filha solteira de Gonçalo Peixoto da Silva de Almeida, 7º administrador do referido morgado. Lê-se no “Livro das entradas dos Irmãos da Irmandade de Stª Ana” que esta senhora “foy primeira Juiza elleita para o festejo da Senhora Santa Ana que se fes em o Convento de S. Francisco desta villa e por nelle não haver a sua imagem, a mandou fazer à sua custa com todo o primor e magnificencia que se acha feita e fabricada com suas nobres coroas de prata que a mesma Juiza quiz que fosse colocada na Capela do Senhor. Jesus por ser Morgado de seu pai e avô e deu mais duas toalhas de renda para a Irmandade e servisso d’altar

 

Santa Ana foi esposa de S. Joaquim e mãe da Virgem Maria. Se é certo que nenhum dos evangelistas refere o seu nome, em contrapartida, a “Legenda Aurea”, compilada por volta de 1275 por Tiago de Voragine, conta inúmeros detalhes da sua vida, episódios que os artistas medievais desenvolveram com imaginação. Por esta razão, e desde tempos imemoriais, é representada juntamente com Maria, sua filha, e o Menino Jesus, grupo habitualmente denominado: “as Três Gerações”.

 

 

IMAGEM DE S. FRANCISCO DE ASSIS

 

A imagem de São Francisco de Assis foi mandada fazer em Roma pela Mesa da Ordem Terceira de S. Francisco, por deliberação de 26 de Outubro de 1882, por proposta do vice-ministro, José Ferreira de Abreu, que deveria ser custeada pelo lucro do depósito da cera e por um donativo de 285$500 reis de Dona Custódia Maria. Existe no Arquivo da Ordem de S. Francisco uma fotografia da imagem, a sépia, feita em Roma pouco depois da imagem ter sido ultimada pelo escultor, e antes de ter sido pintada.

            Em 10 de Fevereiro de 1884, chegou essa imagem a Guimarães, esculpida em Roma por Giuseppe Berardi para a Igreja de S. Francisco. Foi posta em exposição na sacristia da igreja e mais tarde colocada no terceiro altar do lado do Evangelho da igreja conventual, onde ainda hoje se encontra.

Acerca desta imagem, escrevia em 14 de Fevereiro de 1884 o jornal “O Espectador”: “Esta obra devida ao escopro do hábil e já entre nós muito conhecido escultor Giuseppi Berardi, parece-nos um estudo digno do vulto respeitabilíssimo que representa. A imagem levanta-se imponente em tamanho natural figurando o Patriarca de Assis em posição de pregar. Empunha na mão esquerda um pequeno crucifixo e acciona muito naturalmente a mão direita, revelando no rosto simpático os traços de inspiração e de penitência. As roupagens que consistem numa samarra de burel preto e capuz, cobrem-lhe as formas viris, apertadas à cinta por um cordão de linho, do qual pende ao lado esquerdo um rosário terminado por uma pequena caveira...”.

A imagem custou, incluindo o transporte, 550$668 reis.

 

 

IMAGEM DE NOSSA SENHORA DAS DORES

 

            A imagem de Nossa Senhora das Dores, obra do grande escultor Soares dos Reis, foi oferecida em 4 de Abril de 1876 pelo síndico do Hospital da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, António Peixoto de Matos Chaves, em cumprimento de uma promessa. Instalada inicialmente na Capela dos Terceiros, foi transferida em 12 de Abril de 1934 para o local onde hoje se encontra, num altar maneirista do transepto norte da igreja conventual.

            A respeito desta imagem, escreveu Alfredo GUIMARÃES: “A imagem de Nossa Senhora das Dores é a melhor e mais bela escultura religiosa da cidade. Soares dos Reis viveu nela, talvez, o seu mais alto momento de melancolia, ao mesmo tempo que realizou um dos seus mais humanos trabalhos. É uma maravilha de emoção e beleza plástica. É um corpo franzino com uma modelação magoada de pessoa vencida, sobre a encarnação rósea (talvez excessivamente rósea...) de uma camisa, ou túnica, se o quiserem, que por inteiro a reveste até à parte superior do seio, suspendendo-se a mesma camisa, por duas tiras, ou travessas, entre os ombros e o rosto – tudo isto num resultado de coloração branco-anilado. Os braços são articulados para a poderem vestir”.

 

 

ÁRVORE DE JESSÉ

 

            No segundo altar do lado da epístola da igreja do convento de S. Francisco, outrora a cargo da Irmandade de Nossa Senhora do Ó, encontra-se um belo retábulo de talha dourada e estofada representando a “Árvore de Jessé”. A árvore de Jessé, ou árvore genealógica de Jesus Cristo, é um dos mais importantes temas iconográficos da arte cristã: a sua estrutura foi definida em 1144 pelo Abade Suger e o seu protótipo encontramo-lo num famoso vitral da Basílica de Saint-Denis, perto de Paris, reproduzido pouco depois (1150) na Catedral de Chartres e adaptado mais tarde por toda a Europa.

            Em Guimarães existiram – que se saiba – mais duas árvores de Jessé: uma, na igreja da Colegiada de Santa Maria de Guimarães, datada provavelmente dos fins do século XIII, de que resta a figura de Jessé, de calcáreo, guardada no Museu Alberto Sampaio, e outra, na capela de Nossa Senhora da Conceição, de que resta também a figura de Jessé, de madeira, hoje no Museu Pio XII, em Braga.

            No tombo da Confraria de Nossa Senhora do Ó, datado de 1737 (fl. 16), há uma descrição deste altar, onde se lê: “na nave que fica ao entrar da Igreja à mão direita para a parte do nascente, hum altar aparelhado e dourado em que se diz missa, no qual se acha a arvore de Jessé, com doze reis e seis por cada banda, de vulto, estofadas, e em cima da dita arvore, no meio, a imagem de Nossa Senhora do Ó, a qual Senhora é de vulto, levantada, dourada e estofada, com sua coroa de prata que peza sinco mil e tantos reis…

 

 

SANTA CLARA

 

            Na igreja do convento de S. Francisco de Guimarães existem três representações iconográficas de Santa Clara de Assis: uma pintura em madeira do início do século XVIII, que outrora decorava uma das cadeiras do coro alto da igreja; uma pintura do século XVI que faz parte da predela do altar dos Santos Mártires de Marrocos, descoberto nesta igreja em Dezembro do ano de 2000; e uma escultura em madeira policromada, datada provavelmente dos fins do século XVII ou início do século XVIII, que se encontra à veneração dos fiéis no pilar que separa o arco da capela-mor do absidíolo do lado do Evangelho (lado norte).

            Todas as peças representam a santa com os seus atributos tradicionais: tendo numa das mãos o báculo, símbolo da sua dignidade de abadessa do convento de San Damiano, em Assis; e segurando na outra o cibório, a recordar um episódio ocorrido nos seus últimos dias de vida quando estando ela moribunda, na sua cela, foi informada pelas outras religiosas que tropas invasoras se preparavam para assaltar o convento. Santa Clara, embora sem forças, foi ao altar buscar a Sagrada Eucaristia e defrontou os invasores. Estes, aterrorizados com a visão daquela mulher moribunda, fugiram espavoridos.

            Santa Clara foi declarada recentemente padroeira da Televisão porque, dizem os seus biógrafos, teve o privilégio de ver projectada na parede de sua cela imagem das honras póstumas prestadas a S. Francisco de Assis em Santa Maria dos Anjos.

 

 

SANTA CECÍLIA

 

            No pilar entre o arco da capela-mor da igreja conventual de S. Francisco de Guimarães e o absidíolo do lado sul encontra-se uma imagem de Santa Cecília, escultura em madeira policromada dos finais do século XVII ou princípios do século XVIII.

            Diz a tradição que Cecília pertencia a uma família patrícia de Roma. Em época de perseguições, foi denunciada como cristã e, apesar da sua linhagem, condenada à morte. Numa primeira tentativa, sem sucesso, procuraram sufocá-la com o vapor do banho ou queimá-la com a fornalha que aquecia a água; depois, decapitaram-na.

            A Igreja elegeu-a padroeira dos músicos, ao que parece porque, na sua Paixão – escrito do século V que obteve grande divulgação - enquanto o forno fervia, Cecília cantava ao Senhor (“candentibus organis Caecilia Domino decantabat”). Alguém traduziu “organis” por órgão, instrumento musical, e tanto bastou para que os artistas escolhessem o órgão como seu atributo e a Igreja lhe desse o patronato da Música e, em especial, da Música Sacra.

            De harmonia com a iconografia tradicional, na imagem da igreja de S. Francisco, Santa Cecília é representada com o seu órgão. Mas não é o órgão original, que, talvez por se encontrar arruinado, foi substituído em data que se ignora pelo actual, oferecido pela Philarmonica Vimaranense, como consta de uma inscrição nele existente.